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ABBEM - Associação Batista Beneficente e Missionária - Morte no centro de triagem


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Morte no centro de triagem

Protesto marca um mês da da execução de adolescente

A execução de um adolescente no Centro de Triagem foi lembrada na manhã de ontem em uma manifestação na avenida Bezerra de Menezes. O delegado que apura o caso pedirá a prorrogação do inquérito por mais 30 dias
Diversas entidades de defesa dos direitos da criança e do adolescente fizeram, na manhã de ontem, uma caminhada pela avenida Bezerra de Menezes para lembrar o primeiro mês da execução do adolescente Rômulo Alves da Silva, 17, morto por um grupo de homens encapuzados dentro do Centro de Triagem do Juizado da Infância e da Adolescência, no dia 18 de julho. Ele era suspeito de participação no assassinato do policial do Grupo de Ações Táticas Especiais (Gate), Claudionor Pereira da Silva, 38, morto com três tiros no Jardim Iracema no mesmo dia.

Cerca de 900 crianças e adolescentes participaram da manifestação com música, faixas, cartazes e apresentações artísticas. Elas fazem parte das 50 entidades que compõem o Conselho de Direitos da Criança e do Adolescente do Ceará (Cedca). Na ocasião, outros casos de violência foram lembrados, como o assassinato de 83 mulheres no Estado em 2006, a morte de 11 PMs na Grande Fortaleza e o fato de um jovem ser morto a cada três horas no Brasil. A caminhada, que partiu da sede da Secretaria Estadual da Agricultura (Seagri), foi encerrada com a realização de um ato ecumênico em frente ao Centro de Triagem.

Segundo o vice-presidente do Cedca, Narciso Coelho de Oliveira, o objetivo da manifestação foi cobrar maior transparência na investigação da morte do adolescente e questionar a cultura do "olho-por-olho". "A sociedade não pode aceitar isso (a ação de grupos de extermínio). Ela tem de respeitar o estado de direito, que é escolhido pela própria sociedade", afirma.

Sobre a condução do inquérito que apura a execução de Rômulo Alves, Narciso Coelho informou que não está tendo muito acesso às informações. Ele faz parte de uma comissão formada para acompanhar o caso. "Não fui chamado para nenhuma reunião (com a força-tarefa que investiga o assassinato)", disse.

A assessora do Fórum das ONGs de Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente, Eliane Lopes, cobrou do Governo do Estado uma ação mais eficaz na área da criança e do adolescente. "Um adolescente foi morto em um espaço onde o Governo deveria garantir a sua proteção", afirma. Os centros educacionais também foram alvos das críticas da assessora. "Em espaços onde deveriam estar 60 adolescentes, segundo determina o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), vivem 120, em média".

A respeito das críticas provocadas por uma suposta falta de transparência na condução do caso, o delegado que preside o inquérito, Evandro Alves de Sousa, disse que falta "mais aproximação" por parte das entidades. "Elas podem ligar todo dia para mim, para saber como estão as investigações. Eu não me incomodo com isso. O que acontece é que, por questões de segurança, muitas vezes não dá para avisar quando vão ocorrer os depoimentos", argumenta.

Jornal O Povo - Ricardo Moura

19/08/2006

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