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ABBEM - Associação Batista Beneficente e Missionária - Passeata lembra assassinato no Centro de Triagem


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Passeata lembra assassinato no Centro de Triagem

Cerca de 1.000 pessoas participaram, ontem, da passeata em memória do adolescente Rômulo Alves, assassinado na noite de 18 de julho passado, no Centro de Triagem do Juizado da Infância e da Adolescência, no Bairro Olavo Bilac.
Com faixas e cartazes denunciando a violência, os manifestantes saíram às 9 horas da Avenida Bezerra de Menezes, na altura da Secretaria de Agricultura e Pecuária do Estado do Ceará.

O crime foi cometido por seis homens encapuzados que invadiram o Centro de Triagem e renderam três pessoas que trabalhavam na segurança da unidade. O adolescente, que recebeu mais de 30 tiros, era um dos três suspeitos do assassinato, também a tiros, do policial do Grupo de Ações Táticas Especiais (Gate), Claudionor Pereira da Silva, 38.

A passeata foi promovida pelo Fórum Permanente das ONGs de Defesa da Criança e do Adolescente do Estado do Ceará (Fórum DCA) e o Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente (Comdica). O vice-presidente do Conselho Estadual dos Direitos da Criança e do Adolescente (Cedca), Narciso Coelho, disse que a mobilização teve por objetivo provocar uma reação nos fortalezenses dos “perigos e inutilidade” da máxima do olho por olho.

“Infelizmente, a vítima não está mais aqui para se defender. Mesmo que o adolescente tenha sido um dos autores do assassinato do soldado não é possível permitir que ele seja morto numa aparente ação de vingança, sobretudo quando se encontrava sob a tutela do Estado”, disse Narciso.

Ele lembrou que o caso já foi encaminhado à Secretaria Nacional de Defesa dos Direitos Humanos, que considera como “emblemático”, dos grupos de execução. No caso de Rômulo, há o agravante de que a execução aconteceu, enquanto estava sob tutela do Estado.

A caminhada fez o percurso em direção ao Centro de Triagem, onde aconteceu o crime, como uma das ações para a mobilização contra a violência no Ceará, com ênfase nos fatos ocorridos este ano.

Durante a manifestação, uma adolescente, com a cara pintada, fez um pronunciamento em defesa do Estatuto da Criança e do Adolescente e denunciou atos arbitrários que teriam sido praticados por policiais contra adolescentes, residentes nos bairros de população de baixa renda.

A coordenadora do Movimento Curumins, Organização Não Governamental, que trabalha com meninos e meninas em situação, de risco, Márcia Cristine de Oliveira, também chamou a atenção para a falta de políticas públicas no Ceará, que tem levado mais jovens para a criminalidade. Ela defendeu maior investimento nas áreas de educação, saúde, formação profissional e de lazer.

A caminhada fez menções a dados da publicação “Mapa da violência IV”. O documento alerta que um jovem é assassinado a cada três horas no Brasil. Além disso, lembrou que 12 policiais foram assassinados em Fortaleza esse ano e 89 mulheres, mortas no Ceará, de acordo com o Fórum Cearense de Mulheres.

A manifestação, que consistiu numa passeata em um percurso de 1,5 quilômetro, foi considerada pelos organizadores como uma tentativa de sensibilizar e mobilizar a sociedade e o poder público para a gravidade desses crimes e a necessidade de celeridade e transparência nas apurações.

Jornal Diário do Nordeste

19/08/2006

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